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Afinal, o que Hamburgo tem a ver com hambúrguer?

De onde será que vem o nome do nosso delicioso e querido destruidor de dietas, o hambúrguer? Tem alguma coisa a ver com Hamburgo? Então senta que lá vem história! (Quem lembra disso?) 😉

Ainda lá nos tempo de Gengis Kahn, por volta do século XII, a carne era consumida crua e prensada, já que não havia geladeira para conservar os alimentos e o sal era uma especiaria cara. Esse hábito foi levado para o ocidente, e é claro que novas formas de consumir o tal bife foram aparecendo. Na Russia, a carne crua que era bem comum entre o povo tártaro, ganhou alguns temperos e passou a se chamar tartar, uma receita que conhecemos até hoje.

Indo mais para o oeste, os povos germânicos, principalmente no norte e nordeste do que hoje é a Alemanha, batizaram a iguaria de mett (no dialeto nierdeutsch, ou baixo alemão) e hackpeter (leste). A diferença entre os dois é bem pequena, e hoje em dia tem mais a ver com alguns temperos utilizados e com o costume de usar o nome local.

Hamburguer do Better Burger
Hamburguer do Better Burger

Mas já que estamos em Hamburgo, vamos seguir a história por aqui. O Mett, que até hoje é encontrado em restaurantes e padarias, vem de uma antiga palavra alemã, “miet” que significava carne fresca e depois no inglês, virou meat (tcharam!). Consiste basicamente em espalhar a carne crua no pão, e jogar pimenta, sal e cebola por cima (na receita atual, pois durante a Idade Média o sal custava muito, e usava-se para tempero ervas de mais fácil acesso, como a salsinha).

Como Hamburgo tem uma longa história de cidade portuária, a constante chegada e saída de marinheiros e imigrantes do porto da cidade acrescentou novos sabores à culinária local, mas também exportou novidades. Mais especificamente no final do século XIX e inicio do XX, o “bife à moda hamburgo” (hamburger beef) chega aos EUA. A maioria das embarcações aportava em Nova York, o que também explica a grande mistura que a cidade é hoje. Não é à toa que os alemães e seus descendentes são um dos maiores grupos de imigrantes nos Estados Unidos.

No início do século XX já era possível manter a carne conservada por mais tempo, assim como o hábito de comer carne crua como nas estepes mongóis não era tão apreciado na América. O tal do hamburger beef era cozido, e levava também cebola, alho e condimentos. A grande revolução do hambúrguer nos EUA, foi a introdução do pão, tipo sanduíche, fazendo com que a refeição se tornasse uma marca da culinária e da cultura norte-americana. Não apenas por ser saboroso, mas também pela praticidade, já que a carne moída ou martelada não precisava ser macia e cara.

Aqui na Alemanha é bem comum ver em padarias e supermercados o chamado Frikadelle, que é como um bolinho de carne e lembra um pouco a carne do hambúrguer, só que mais gordinho.

Aliás, trocadilhos à parte, que tal apreciar um hambúrguer em Hamburgo? As casas especializadas em hambúrgueres artesanais tem se tornado cada vez mais comuns na cidade. As que recomendo, testadas são Burgerlich, Hans im Glück e Better Burger. Já recebi indicações do The Bird, em Sankt Pauli, mas ainda não experimentei. A preços mais acessíveis, mas também muito bom, tem o Jim Block, com várias filiais pela cidade.

No Burgerlich o pedido é feito na mesa, direto na tela, com um cartão
No Burgerlich o pedido é feito na mesa, direto na tela, com um cartão

A propósito: oficialmente, Hamburger aqui (sem “gu” e com letra maiúscula) é nome do cidadão da cidade-estado de Hamburgo. Portanto, se quiser comer o sanduiche, é melhor falar só “burguer”, com a pronúncia americana mesmo. Não que as pessoas não entendam hamburger, mas fica meio estranho. 😉

A moda das hamburguerias chegou a Hamburgo. Esse é a Burgerlich, perto da Steinstraße.
A moda das hamburguerias chegou a Hamburgo. Esse é a Burgerlich, perto da Steinstraße.

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